Lar e editora

(Foto: arquivo da Casatrês)

A casa é de madeira, muito velha, singela, charmosa. Foi construída na década de 50, por um marceneiro, pai e avô. E agora é uma editora. É onde moramos desde novembro do ano passado; é onde, em três, dividimos a vida com afeto, amizade, parceria, planos. É onde nós, agora, trabalhamos — escrevendo, editando, revisando, diagramando, desenhando, cortando, dobrando, vincando, colando, encadernando; errando, batendo cabeça, esfolando os dedos, fritando a mente na frente do notebook. Por fim, aprendendo toneladas a cada dia, acertando, satisfeitos, empolgadíssimos, contentes com os resultados finais.

Lar e editora — a Casatrês. Número 2668, casa 3. E o complemento não inspirou o nome do projeto, pois este já existia antes mesmo de pensarmos em viver aqui. Trata-se de uma coincidência absurda, descoberta de maneira banal. Contratando plano de internet, eu não sabia se havia complemento, então o atendente de telemarketing, visualizando a localização por satélite, me confirmou: “É casa 3”.

A Casatrês, como disse, já existia em ideia — e o nome tem origem nebulosa, hermética, com explicações que transitam entre o esoterismo e as casualidades materiais, como no exemplo acima. Desabrocharia, como editora independente, caseira, artesanal, onde quer que morássemos. Mas a residência de madeira, muito velha, singela, 2668, 3, foi um presente do destino, um suplemento perfeito.

Aqui, usamos nossas mentes e mãos afiadas, autônomas ao máximo que podem ser. O período é líquido, atomizado; o Brasil está em convulsão, estilhaçado. E nós, no auge da saúde, trabalhamos para solidificar, agregar. Usamos o corpo inteiro, sobretudo as mãos, para confeccionar valores, ideias, vivências.

Leave A Comment