Como fazer seus lambes

(Felipe Moreno, São Paulo, 2017. Foto: Beatriz Medaglini)

Os lambes têm estampado ruas há décadas, denunciando descasos, declamando poesias, divulgando eventos e colorindo cantos. Das várias formas de intervenção urbana, talvez seja o mais democrático e acessível: não são necessários equipamentos e produtos caros, nem habilidades especiais. Basta ter uma ideia no papel e colar.

Pode ser uma arte impressa, um recorte de revista, uma poesia a caneta num guardanapo de lanchonete. Pode ser no muro, no poste, no beco ou na avenida (e, por que não, numa parede de casa?). Pode ser trigo ou polvilho.

(Foto: Beatriz Medaglini)

Para fazer seus próprios lambes, você precisa de:

— Uma arte no papel (quanto mais fino, melhor. Os nossos, fazemos em papel jornal, mas sulfite funciona também);
— Algo para espalhar a cola – pincel, bucha de pano, vassoura macia, rolinho de pintura;
— Uma superfície adequada – paredes, muros, tapumes, caixas de energia e postes são ótimos. Quanto mais liso, melhor. Não funciona em superfícies que se desfazem (cimento sem pintura, por exemplo) ou que sejam muito rugosas.
A cola:
Ingredientes:
— 1 xícara de farinha de trigo ou polvilho azedo;
— 3 e 1/2 xícaras de água;
— 2 colheres de sopa de vinagre;
— 1 colher de sopa de cola branca (opcional, deixa a cola mais forte)

Preparo: Coloque a farinha ou polvilho em uma panela e adicione a água fria aos poucos, mexendo sempre para não criar grumos. Leve ao fogo baixo e mexa até adquirir consistência de mingau. Por fim, adicione o vinagre (funciona como conservante) e a cola. Quando esfriar, armazene em uma garrafa plástica com um furo na tampa, vai ajudar a espalhar o grude.

Produzida a arte e decidido o local, é hora de colar. Aplique a cola no verso do papel e espalhe com seu objeto de espalhar. Em seguida, grude o papel bem esticadinho no lugar escolhido e espalhe outra camada de cola por cima.

(Foto: Beatriz Medaglini)

Aqui na Casatrês nos dedicamos, entre outras coisas, a escrever haicais. Achamos que não seria má ideia produzir lambes com os pequenos poemas japoneses para vê-los colados por aí, respingos de verbo em muro esquecido. (Você pode conferi-los aqui)

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