Coleção Incivilizada

Incivilizar é reconfigurar o status do mundo. O ponto de partida, e a própria base, são simples: corpo e imaginário. Tem a ver com percepções do entorno, práticas e modos de vida. Incivilizar o corpo e o imaginário através de uma ética que, sobretudo, age para defrontar e se desviar de alguns fundamentos da civilização ocidental. Em síntese, defrontar e se desviar de visões de mundo calcadas em credos específicos, sumariamente antropocêntricos: dominação, universalização, extrativismo, expansão, progresso, sapiens soberano no cosmos.

Corpo e imaginário, aqui, têm estreita relação com livros e leituras. Pois, através de uma escrita crua e aterrada, visceral e, muitas vezes, fragmentária, não convencional, os livros da coleção incivilizada pretendem ser a contrapartida das condições hegemônicas e colonizadoras de enxergar e enquadrar a vida. Buscamos, aqui, a veia literária que estilhaça a pasteurização global, enraíza-se no próprio território, digere a diferença, corre junto com a terra, em solo firme, e, presentificada, em corpo e consciência, absorve, interage, apropria, preserva, cocria, solidariza.