INSTRUMENTOS DE TRABALHO | JULIANA BEN

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SOBRE O LIVRO

Faca de duas funções, de dois gumes: uma mesma lâmina que corta a carne e abre caminhos. Os poemas da plaquete de Juliana Ben são palavras e versos que manuseiam os artefatos do labor pesado; palavras e versos norteados por cinco elementos — ou instrumentos: o corte, o martelo, a enxada e o ritual.

Comenta Ariele Louise, no posfácio “Mesa(s) de trabalho”: “Algumas mulheres, como Juju, escrevem poemas e livros com artefatos que me causam interrogações. (…) As interrogações querem saber sobre os dias e as noites das mulheres contemporâneas, modernas e antigas, sobre os contextos de uso desses artefatos e sobre o que se pode ouvir deles e delas”.

Vale destacar que Instrumentos de trabalho abre com um poema escrito no período em que o bolsonarismo tomou o poder (2019–2022), quando trocamos “13 por 17/ uma fração brasileira”. E que Instrumentos de trabalho foi lançado numa quinta-feira, 22 de outubro, três dias antes do triunfo do povo brasileiro sobre a iminência do fascismo. Quando “a carne cortada volta/ à mesa/ à cama/ às ruas”.

TRECHO

“adelaide ivánova dorme
com um martelo embaixo
do travesseiro
apenas por precaução
há penas
há duras penas
no encosto
do seu colchão

adelaide ivánova
não tem medo de morrer
e por isso abre
o seu bocão

ela sabe que espera
ela sabe quem espera
à espreita
no corso, esquina ou cordão

se adelaide ivánova fosse uma casa
ela teria tijolos à vista
e na porosidade da sua tez
sujaríamos as mãos
de vermelho”

AUTORA

Juliana Ben é escritora, poeta, pesquisadora, performer e produtora cultural. Publicou as obras individuais Duração (Papel do Mato, 2021), Preia-mar (Penalux, 2018) e Te encontro nas minhas linhas em branco (produção independente, 2012), e as coletivas Abrazine (produção independente, 2022), Revoluta (Caiaponte, 2019) e Abrasabarca (Medusa, 2018). Desde 2019, realiza o Festival de Literatura Pela Ilha Palavra Amplificada (PIPA). Em 2025, recebeu a 1a menção honrosa, no 3o Prêmio Zahidé Muzart, pela escrita da tese Corpos dissidentes em coletivos de arte: criação, aparição e políticas de vida. Natural de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Juliana vive em Florianópolis, Santa Catarina.

ESPECIFICAÇÕES

Gênero(s): poesia
Páginas: 32
Projeto gráfico: Felipe Moreno e Juliana Ben
Artesania: encadernação exposta
Formato: 11,0 cm x 21,0 cm
ISBN: 978-65-81513-19-1
Edição: 1ª, 2026