TERRA VERMELHA | MARIANA VOGT

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SOBRE O LIVRO

Em Terra Vermelha, conto de Mariana Vogt, a cor da terra é matéria e símbolo daquilo que uma cidade do interior do Rio Grande do Sul, no final dos anos 80, início dos 90, faz proliferar: aquilo que macula e impregna, aquilo que mancha. Uma mulher. Seu vestido branco. Seu coroamento: seu achincalhamento público. O ato de violência. A terra vermelha por toda a parte, dentro e fora, do início ao fim.

Mordaz e ágil, o texto de Mariana nos capta desde a primeira frase e nos convida — nos convoca — à atenção a todos os detalhes, a todos os frames desse conto que tem a força tanto do imagético quanto do tátil.

TRECHO

“Aqui a terra é vermelha.

Aqui a terra é vermelha e não é de sangue.

A borda do vestido branco arrastando no chão e puxando um pouco daquele vermelho, levando um pouco daquele vermelho, guardando o vermelho na bainha, porque as mulheres sempre guardam o vermelho na bainha e a cada passo mais vermelho, a cada passo mais poeira, a cada passo menos bainha, a cada passo mais pessoas dizendo ela mereceu. O vestido é branco e longo, isso vocês já sabem. Os sapatos também são brancos e guardam o vermelho.”

AUTORA

Mariana Vogt, nascida e criada na confeitaria de seus avós em Ijuí (RS), é escritora e doutoranda em Literatura pela UFSC. Autora de Imagino Macapá (Urutau, 2025), Segredos sussurro enquanto a ambrosia cozinha (Estúdio Semprelo, 2023) e coautora de Eu te sonho: cartas do confinamento (Estúdio Semprelo, 2022). É filha de Caroline Vogt, que foi rainha do centenário de Ijuí em 1990.

ESPECIFICAÇÕES

Gênero(s): conto
Páginas: 36
Projeto gráfico: Felipe Moreno, Laleska Lebioda e Mariana Vogt 
Formato: físico 
ISBN: 978-65-81513-18-4
Edição: 1ª, 2026